Quase toda discussão sobre dinheiro público começa pelo gasto. Vamos começar pelo outro lado: de onde ele entra. Esta página não usa o portal da prefeitura. Usa a declaração anual que todo município é obrigado a enviar ao Tesouro Nacional. É auditada e está no mesmo formato dos 5.570 municípios do país.
Em 2025, o último ano fechado, entraram R$ 401,0 milhões.
De cada R$ 100 que a prefeitura recebe, cerca de R$ 14 são cobrados aqui. E essa proporção é praticamente a mesma desde 2018: 13,2%, 13,5%, 12,9%, 13,5%, 12,8%, 13,0%, 13,6%, 14,3%.
A prefeitura administra um orçamento grande mas arrecada pouco do que gasta. Depende de repasses definidos em Brasília e em Campo Grande, por fórmulas que nenhum prefeito controla. Quando o FPM cai, a cidade sente, e não foi decisão de ninguém daqui.
O dinheiro que vem de fora
O FPM é a fatia do Imposto de Renda e do IPI que a União divide entre os municípios, por população. A cota-parte do ICMS é a parte do imposto estadual que volta para onde a atividade econômica aconteceu. O SUS entra fundo a fundo, todo mês, federal e estadual somados.
Nova Andradina recebeu R$ 62,0 mi do FUNDEB em 2025 e contribuiu com R$ 29,4 mi. Parte do FPM, do ICMS e do IPVA é retida na fonte e vai para o fundo. Saldo: a cidade ganha R$ 32,6 mi líquidos, porque tem mais alunos matriculados do que a própria arrecadação sustentaria.
O que o morador paga
Dos R$ 57,5 mi cobrados aqui em 2025, esta é a divisão:
Descontada a inflação, o que a prefeitura arrecada por conta própria passou de R$ 35,3 mi em 2018 para R$ 59,5 mi em 2025, 69% a mais. Por morador, de R$ 681 para R$ 1.139 por ano, em reais de hoje.
O ISS quase dobrou em termos reais e o IPTU subiu cerca de 45%. Isso pode significar economia mais aquecida, cadastro imobiliário atualizado, fiscalização mais eficiente, aumento de alíquota, ou uma combinação disso. O dado não diz qual. Diz que o morador contribui bem mais hoje do que há sete anos.
Um cuidado na leitura: a população oficial caiu de 56.057 para 52.221 em 2024, quando entrou o resultado do Censo. Parte do salto no valor por morador vem daí, não de aumento de imposto.
Entrou mais do que saiu?
Com receita e despesa auditadas lado a lado, dá para fechar a conta de cada mandato. Tudo corrigido para reais de 2026.
| Mandato | Prefeito | Receita | Despesa | Resultado | Imposto daqui |
|---|---|---|---|---|---|
| 2018–2020 | Gilberto Garcia (1º mandato) | R$ 841,7 mi | R$ 683,2 mi | + R$ 158,6 mi | 13,2% |
| 2021–2024 | Gilberto Garcia (2º mandato) | R$ 1,47 bi | R$ 1,18 bi | + R$ 289,6 mi | 13,2% |
| 2025 | Leandro Fedossi | R$ 414,8 mi | R$ 355,0 mi | + R$ 59,7 mi | 14,3% |
Os três períodos fecharam com sobra. Isso é normal e não quer dizer que o dinheiro ficou parado: parte vira restos a pagar do ano seguinte, parte é obrigatoriamente guardada, como o fundo previdenciário e os recursos de convênio ainda não aplicados. Também não significa boa ou má gestão por si só: significa que a prefeitura não gastou mais do que arrecadou, o que a Lei de Responsabilidade Fiscal exige.
O primeiro mandato aparece com três anos porque a declaração de 2017 não está na base do Tesouro. O mandato atual tem só 2025 fechado. O ano de 2026 será declarado em 2027.