Uma parte do total está contada duas vezes
O número dos relatórios oficiais é R$ 2,37 bi. Antes de usar esse valor, vale descontar uma coisa: às vezes a prefeitura passa dinheiro para um fundo dela mesma, e aquele fundo depois gasta esse dinheiro. Como as duas operações são registradas, o mesmo real aparece duas vezes.
Isso responde por R$ 112,1 mi, ou 5% do total. É menos do que se imagina, e descontamos só esses casos: repasse a fundo que também aparece gastando aqui dentro. Salário não entra nessa conta, porque o dinheiro sai mesmo.
própria prefeitura
Daqui para frente, todos os números falam do R$ 2,25 bi que realmente sai.
Onde esse dinheiro para
Cabe aí quase tudo que a prefeitura não faz com gente própria: merenda, remédio, combustível, transporte escolar, coleta de lixo, software, obra, aluguel de máquina. São 3.847 empresas e pessoas diferentes recebendo ao longo desses anos.
R$ 279,1 mi vão para a FUNSAU, a fundação municipal que opera o hospital e parte da rede de saúde. Ela é da prefeitura, mas tem orçamento próprio.
O que a FUNSAU faz com esse dinheiro depois, ou seja, quem ela contrata e quanto paga a cada fornecedor, não aparece neste portal. Então aqui a trilha do dinheiro para. É o maior ponto cego que encontramos, e está registrado na página Metodologia.
O carimbo de cada real
Nem todo dinheiro que entra pode ser gasto como a prefeitura quiser. Boa parte chega carimbada: veio para a educação e só pode ir para a educação, veio para uma obra específica e só pode ir para aquela obra. São 208 origens diferentes.
Gasto anunciado não é gasto feito
Todo dinheiro público percorre três etapas antes de sair da conta. É por isso que uma obra pode ser “empenhada” e nunca acontecer, e por isso acompanhar só o anúncio engana.
Dos R$ 2,37 bi prometidos, R$ 2,00 bi foram efetivamente pagos, 85%. O restante são compromissos em aberto, empenhos cancelados e o exercício de 2026, que não terminou.