De onde vem cada número
Três fontes, todas públicas e todas obrigatórias por lei:
- Portal da Transparência da Prefeitura de Nova Andradina. Traz cada empenho, liquidação e pagamento, um a um. Coleta de 04/09/2026: 57.724 empenhos, 76.043 liquidações, 77.598 pagamentos, além de contratos, licitações e convênios. A Lei de Acesso à Informação obriga o município a manter isso público.
- SICONFI / Tesouro Nacional. É a Declaração de Contas Anuais que a prefeitura envia todo ano. É a fonte de tudo que está na página Quem paga. Está no mesmo formato dos 5.570 municípios do país, o que torna a comparação possível.
- Dados Abertos do CNPJ, Receita Federal. Traz porte, capital social e quadro societário de cada empresa contratada. Competência 08/2026.
Nada foi estimado. Cada número é a soma de registros individuais, e cada registro guarda de onde veio e quando foi coletado.
Nenhum número deste site é digitado à mão. Um programa de auditoria recalcula todos os totais direto dos dados brutos, confere se as partes somam o todo em cada divisão, e só então grava os valores que as páginas usam. Se alguma soma não fechar, o site não é gerado.
A conferência com o Tesouro Nacional
Somar certo não garante que a coleta trouxe tudo. Para testar isso é preciso uma fonte de fora, e temos uma: a declaração anual que a prefeitura envia ao Tesouro. Comparamos ano a ano o que baixamos do portal com o que ela declarou lá.
Para a comparação ser justa, dos dois lados tiramos o que o outro não tem. Do nosso lado saem as despesas entre órgãos da própria prefeitura e as anulações. Do lado do Tesouro saem a Câmara Municipal e a previdência dos servidores, que são declaradas lá mas não existem no portal do município.
| Ano | Portal, comparável | Tesouro, comparável | Diferença |
|---|---|---|---|
| 2018 | R$ 143,6 mi | R$ 143,3 mi | +0,21% |
| 2019 | R$ 156,3 mi | R$ 156,5 mi | -0,16% |
| 2020 | R$ 171,8 mi | R$ 172,1 mi | -0,17% |
| 2021 | R$ 189,3 mi | R$ 189,3 mi | -0,03% |
| 2022 | R$ 232,5 mi | R$ 228,1 mi | +1,93% |
| 2023 | R$ 287,6 mi | R$ 279,2 mi | +2,99% |
| 2024 | R$ 316,5 mi | R$ 314,6 mi | +0,61% |
| 2025 | R$ 334,8 mi | R$ 332,6 mi | +0,67% |
De 2018 a 2021 e em 2024 e 2025 a diferença fica abaixo de 1%. Em 2022 e 2023 o portal mostra um pouco mais que o Tesouro, o que combina com a troca de sistema de gestão daquele período. No total dos oito anos a diferença é de pouco mais de 1%, o que indica que a coleta trouxe o que o portal tem.
O portal da transparência que usamos é o do Poder Executivo. A Câmara Municipal publica o gasto dela em outro lugar, e o instituto de previdência dos servidores também. Somados, os dois movimentam algo em torno de 8% do orçamento do município.
Ou seja: quando este site fala em “o dinheiro da cidade”, está falando do dinheiro da prefeitura e dos seus fundos. Câmara e previdência ficam de fora, e entram numa próxima etapa do projeto.
As correções que aplicamos
Inflação. Sempre que comparamos anos diferentes, os valores estão em reais de 2026, pelo IPCA oficial (IBGE, tabela 1737). Sem isso, qualquer gestão mais recente parece gastar mais só porque o dinheiro vale menos.
Tempo de mandato. Comparações entre prefeitos são por mês de governo, porque os períodos disponíveis têm 36, 48 e 21 meses.
Dinheiro contado duas vezes. Transferências entre órgãos da própria prefeitura são registradas como gasto novo. Nós as separamos: quando falamos em “dinheiro que sai”, elas estão fora.
Valores de item. O portal repete o valor cheio da linha do contrato em cada empenho que puxa dela. Somar aquilo multiplicaria o mesmo dinheiro várias vezes, então o valor de cada empenho é rateado entre os seus itens.
O que ainda não dá para ver
O portal informa o número do contrato em apenas 8% dos gastos, e o da licitação em 25%. Ou seja: na maioria das vezes, olhando um pagamento, não dá para saber de qual contrato ele nasceu. Isso não é falha da coleta. É o que está publicado. O contrato também não traz resumo do objeto: só a lista de itens.
Sabemos o projeto, a empresa, o ano e o valor. Não sabemos se a rua foi asfaltada, quantos metros, com que qualidade. Isso exige o boletim de medição, que é público e pode ser pedido, ou ir ver.
A FUNSAU é uma fundação municipal com orçamento próprio, e recebe uma fatia grande do dinheiro da saúde. O repasse a ela aparece no portal, mas o gasto dela depois, com fornecedor, contrato e valor, não. Esse é o maior ponto cego do projeto hoje. Pedir esses dados à FUNSAU pela Lei de Acesso à Informação é um dos próximos passos.
Existem no portal, mas somam 938 empenhos nos três anos juntos, contra mais de cinco mil por ano depois disso. São restos de migração de sistema, não exercícios completos, e ficaram de fora de tudo para não produzir comparação falsa. A declaração de 2017 também não está na base do Tesouro.
O exercício não terminou. Todo número de 2026 é parcial, e a declaração anual só será enviada em 2027.
O compromisso
Este é um projeto independente, sem vínculo com a prefeitura ou com qualquer partido, e sem fim eleitoral. Ele não acusa ninguém: organiza dados que já são públicos e aponta onde vale a pena olhar mais de perto.
Quando um número aqui estiver errado, ele será corrigido e a correção ficará registrada. Quando uma suspeita não se confirmar, isso também será publicado. Um projeto que só publica o que reforça a suspeita não é transparência, é outra coisa.
Todo o método é reproduzível: as mesmas fontes, abertas a qualquer pessoa, levam aos mesmos números.